O ano de 2026 marca o início de uma das transformações mais profundas na história contábil do Brasil. Enquanto o Governo Federal promove a transição para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o setor supermercadista se encontra em uma encruzilhada de dúvidas: a carga tributária vai realmente subir?
No Grupo Telecon, realizamos uma análise técnica profunda ao final de 2025 e a conclusão é realista: para o supermercadista, a carga nominal não deve sofrer alterações drásticas, mas a regra do jogo mudou.
A Compensação pelos Créditos
Embora as alíquotas do IBS e da CBS pareçam superiores ao que se paga hoje em PIS, COFINS e ICMS, o “pulo do gato” reside na base de créditos. A partir de 2027, o setor passará a ter crédito sobre pagamentos de serviços e consumo interno que hoje são custo puro. Essa nova dinâmica de aproveitamento de créditos é o que permitirá manter o equilíbrio financeiro, desde que a gestão interna seja impecável.
O Novo Coração do Supermercado: Compras e Precificação
Em nossas palestras e consultorias, temos batido em uma tecla fundamental: em 2026, os dois setores mais importantes do seu mercado serão Compras e Precificação.
- Comprar bem é ganhar na largada: Saber selecionar fornecedores e entender o impacto tributário na entrada é vital.
- Precificar com inteligência: Usar os novos créditos a favor da competitividade para aumentar a margem de lucro sem espantar o consumidor.
A “Armadilha” da Isenção de IR e o Lucro dos Sócios
É preciso olhar além do discurso oficial. A anunciada isenção de Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5.000,00 pode soar como um alívio para o trabalhador, mas esconde um efeito cascata perigoso.
A tributação sobre lucros e dividendos que excedam R$ 50.000,00 na distribuição aos sócios será tratada como custo pelas empresas. E, como sabemos na prática contábil, todo custo é repassado ao preço final. No fim do dia, o consumidor (incluindo aquele que se sentiu beneficiado pela isenção) pagará a conta na gôndola, comprando menos com o mesmo dinheiro. É o que chamo de “dupla tributação maquiada”.
Tecnologia como Escudo
No Grupo Telecon, nosso sistema já está preparado e operando o XML com as observações de teste do IBS/CBS desde o dia 2 de janeiro deste ano. O monitoramento é diário e as atualizações são constantes.
O recado para o empresário é claro: não espere 2027 para entender a reforma. O teste é agora. A transparência na documentação e a atualização tecnológica são as únicas garantias de que sua operação não será engolida pelo aumento da arrecadação federal, que estimamos que possa até dobrar com este novo modelo.
O governo ganha sempre. Para que o seu supermercado não perca, a palavra de ordem é gestão.
Dautro Ribeiro – CRC 47029
Diretor Geral do Grupo Telecon
Contador e Gestor de Supermercados
Jose Bresolin – CRC 34.389
Diretor Contábil do Grupo Telecon
Contador e Tributarista para Supermercados